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Segurança on-line: conheça os riscos do uso da internet por crianças e adolescentes

Equipe ChildFund

A segurança na internet tem sido alvo de questionamentos ao longo dos últimos anos, por ser um ambiente em que as relações se estabelecem com mais facilidade. Mas, ao mesmo tempo, permite o contato de desconhecidos com crianças e adolescentes no ambiente virtual, que podem resultar em crimes cibernéticos. Por isso, o ChildFund Brasil recomenda: crianças e adolescentes devem sempre acessar a internet com a supervisão de uma pessoa adulta. De acordo com uma pesquisa realizada pelo DataSenado, somente em 2023, 24% da população brasileira foi vítima de golpes digitais.  

Dados de outra pesquisa, publicada pelo ChildFund Brasil, chamam ainda mais a atenção para este cenário. Segundo os primeiros resultados do Mapeamento dos Fatores de Vulnerabilidade de Adolescentes Brasileiros na Internet, os adolescentes ficam, em média, 4 horas por dia na internet, para além das atividades escolares. Com esse tempo de exposição, as possibilidades de o adolescente ser vítima de abuso sexual na internet é maior. O dado é assustador: 5,6 milhões de adolescentes podem já ter sofrido violência sexual na internet, equivalente a população total de países como: Finlândia, Congo e Noruega. 

O uso constante da internet e, principalmente, de mídias sociais, trouxe consigo uma preocupação para a professora de psicologia on-line do programa de pós-graduação do Instituto de Psicologia da USP, Nara Silva, que relaciona o crescimento de quadros de problemas mentais com a dependência tecnológica. “Essa interação excessiva com o universo online vem trazendo algumas mudanças na nossa forma de relacionar com outras pessoas e com o desenvolvimento da própria pessoa. Hoje, aparecem muitas questões dos adolescentes que não querem sair, não querem se colocar em relação com outras pessoas. Então, é uma mudança que a gente pode ousar falar de mudança de estrutura, em termos de consciência mesmo, de como eu me relaciono com o outro.” , em entrevista à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

Dicas de como se proteger na web 

Com o objetivo de que as crianças e os adolescentes possam aproveitar o dia a dia sem a presença constante das mídias sociais, existem algumas ações que podem ser realizadas pelos pais para reduzir o tempo dedicado às telas, e dessa forma, aumentar os vínculos familiares com seus filhos. Confira, abaixo, duas dicas: 

1. Atividades longe das telas 

Aproveite o tempo livre para realizar atividades com as crianças e proporcionar momentos lúdicos com jogos de tabuleiro, cartas ou cozinhar juntos. Dessa maneira, você contribuirá para um ambiente mais divertido e aproveita para criar momentos que ficarão para sempre na lembrança dos pequenos.

2. Incentivos à cultura   

Ir a museus, peças teatrais e fazer leituras com as crianças são ótimos exemplos de atividades que as enriquecem culturalmente. Sempre verifique a faixa etária recomendada para cada atividade e, posteriormente, converse sobre essas atividades, para incentivar o diálogo em casa. 

Riscos do uso da internet  

Permanecer conectado por muito tempo à internet proporciona, principalmente durante a noite, de acordo com reportagem publicada pela BBC News Brasil, uma redução na produção de melatonina, afetando o sono e prejudicando as saúdes física e mental, além do aumento de possível contato com pessoas desconhecidas em redes sociais. Esse é um dos principais pontos de atenção, pois, ainda de acordo com os primeiros resultados do estudo do ChildFund Brasil, 20% dos jovens afirmam já ter tido contato com desconhecidos pela internet. A pesquisa também constatou que a combinação de aplicativos como Instagram, Facebook, TikTok, WhatsApp, Telegram e jogos com interação online, juntamente com o amplo tempo de uso, está presente em 100% dos casos de abuso sexual on-line. 

O estudo identificou características comuns entre aqueles que sofreram abuso sexual on-line: pouco diálogo com os pais, muito tempo on-line sem monitoramento por um adulto, aumento do tempo na internet com a idade, e uso de aplicativos de mensagens privadas, interação on-line e exposição visual.

Oitenta e oito porcento dos jovens ouvidos pelo estudo afirmaram que se sentem desprotegidos em jogos virtuais durante as noites e madrugadas. (Imagem gerada por inteligência artificial)

Dia da Internet Segura 

Implementado pela SaferNet Brasil, o Dia da Internet Segura tem como objetivo conscientizar a população para os perigos que podem ser encontrados no mundo virtual.  

Abaixo, com mais informações do estudo do ChildFund Brasil, apresentamos os riscos que adolescentes estão expostos, ao permanecerem conectados por muito tempo ao mundo virtual, sem o acompanhamento de perto de pais ou responsáveis. 

A fim de mitigar os riscos de violência sexual on-line contra adolescentes, o estudo identificou quatro perfis de incidência da violência sexual online, sendo nenhuma, baixa, muito alta e extremamente alta. Os dois últimos estão relacionados a formas de violência sexual on-line onde há interação direta com um agressor, em casos de, por exemplo, solicitação de conteúdo explícito ou videochamadas. Alguns fatores comportamentais, como o uso de aplicativos e características do agressor, são correlacionados com o perfil da incidência da violência. 

Outro fator destacado está relacionado ao horário de uso da internet. Oitenta e oito porcento dos jovens ouvidos pelo estudo afirmaram que se sentem desprotegidos em jogos virtuais durante as noites e madrugadas. 

Para o diretor do ChildFund Brasil, Mauricio Cunha, é preciso entender as maneiras corretas para planejar ações que reduzam os índices de violência sexual on-line contra crianças. “Entender as tendências é uma forma de conseguir agir. Nós do ChildFund Brasil acreditamos que algumas das maneiras de fazer isso é a educação digital para pais e adolescentes sobre os riscos on-line; monitoramento parental ativo, associado a diálogos constantes com os adolescentes e, principalmente, a implementação de mecanismos que favoreçam a proteção integral no ambiente digital, indo além de medidas paliativas”. 

Curso SafeChild ensina a prevenir a violência on-line 

Aliado ao combate contra violência sexual on-line de crianças e adolescentes, lançamos, gratuitamente, o curso SafeChild, com o objetivo de orientar o público infantojuvenil, pais, professores e cuidadores sobre como identificar perigos e se proteger contra os vários tipos de crimes e abusos que ocorrem no ambiente on-line. 

Acesse e divulgue o curso para que crianças e adolescentes naveguem com mais segurança na internet. 

🎙️ Podcast “Mãe Sem Manual” – Como prevenir violências contra jovens no ambiente online

A Coordenadora de Advocacy do ChildFund Brasil, Águeda Barreto, participou do podcast Mãe Sem Manual, do Estadão, em 01/04/2025, falando sobre segurança digital e explica quem são os agressores e como protegermos as crianças desses perigos.

Ouça abaixo o episódio completo:

 

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