Notícias | Pesquisa Adolescentes e Internet | Prevenção à Violência Online

Férias conectadas: como proteger crianças e adolescentes dos riscos do ambiente digital

Equipe ChildFund

Com a chegada das férias escolares em julho, é comum que crianças e adolescentes passem mais tempo em casa e, consequentemente, conectadas em jogos on-line, redes sociais e aplicativos de mensagens. Embora a tecnologia faça parte da rotina e possa oferecer entretenimento e aprendizado, o aumento do tempo de tela durante o recesso escolar também acende um importante sinal de alerta para famílias e responsáveis. 

De acordo com a pesquisa Mapeamento dos Fatores de Vulnerabilidade de Adolescentes Brasileiros na Internet, que aborda dados de violência sexual on-line no Brasil, apenas 21% dos adolescentes praticam regularmente atividades de lazer fora das telas como esportes, leitura, passeios ou brincadeiras presenciais. O dado reforça a necessidade de incentivar hábitos que promovam a socialização, bem-estar e desenvolvimento saudável durante as férias. 

Além da questão do tempo conectado, outros riscos relacionados à segurança digital também são preocupantes: a pesquisa revela que, dos mais de 8 mil adolescentes entrevistados em todo o país, 54% afirmam já ter sofrido algum tipo de violência sexual on-line.  

Na terceira fase do estudo, o tema foi aprofundado com a inclusão, de forma inédita no Brasil, de entrevistas com vítimas e perpetradores de violência sexual on-line. Os relatos ajudaram a compreender como os agressores atuam nos ambientes digitais através de jogos on-line, redes sociais e aplicativos de conversa para criar vínculos de confiança, manipular emocionalmente adolescentes e iniciar situações de abuso. 

Segundo o levantamento, 41% dos adolescentes afirmam já ter interagido com pessoas desconhecidas ou suspeitas na internet. Muitas dessas abordagens começam em plataformas de jogos e redes sociais e migram para aplicativos de mensagens, como WhatsApp e Telegram, onde ocorre parte das trocas de conteúdos íntimos e da violência.

Principais riscos

Além dos riscos externos, o Mapeamento realizado pelo ChildFund identificou fatores emocionais e sociais que contribuem para a vulnerabilidade de crianças e adolescentes, como ausência de diálogo familiar, falta de orientação sobre sexualidade, carência afetiva e dificuldade em reconhecer situações de manipulação e abuso. Entre as vítimas entrevistadas, sentimento de culpa, vergonha e medo do julgamento aparecem como barreiras frequentes para denúncias.

Os relatos também mostram que muitas vítimas não reconhecem situações de abuso quando elas acontecem, especialmente quando existe manipulação emocional por parte dos agressores. Em diversos casos, os abusadores ocupam espaços de escuta e acolhimento que muitas vezes não são encontrados no ambiente familiar, criando vínculos que evoluem para controle psicológico e coerção.

Estratégias de proteção

Uma das estratégias utilizadas para proteger crianças e adolescentes no mundo digital é a parentalidade lúdica, momento incentivado por familiares para aumentar convivência, brincadeiras, esportes, leitura e atividades presenciais, com o objetivo de fortalecer vínculos familiares e ampliar o diálogo com crianças e adolescentes.  

O bloqueio de perfis suspeitos aparece como uma das reações mais comuns entre os jovens, mas a ausência de denúncias contribui para a subnotificação dos casos e dificulta a responsabilização dos agressores. Os impactos da violência sexual on-line podem se estender para a vida adulta, com consequências como ansiedade, depressão, baixa autoestima, isolamento e dificuldades de relacionamento.

Entre as principais recomendações para pais, mães e responsáveis estão o estabelecimento de limites claros para o uso de telas, o incentivo a atividades presenciais e a manutenção de um diálogo aberto sobre os riscos do ambiente digital. Outras formas de manter a supervisão e a segurança são o uso de filtros de segurança, ferramentas de controle parental e atenção a possíveis mudanças de comportamento, como isolamento, vergonha, medo excessivo ou alterações de humor.

Outro exemplo é a estratégia Navegando Seguros, desenvolvida pelo ChildFund para fortalecer a segurança digital de crianças, adolescentes e jovens, promovendo um uso mais consciente, responsável e protegido da internet.

Apoie o ChildFund

Precisamos do seu apoio para aumentar a proteção de crianças e adolescentes na Internet. Por isso, doe e apoie o ChildFund a promover ambientes mais seguros para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Clique aqui e doe!

Notícias Relacionadas

Férias conectadas: como proteger crianças e adolescentes dos riscos do ambiente digital

Com a chegada das férias escolares em julho, é comum que crianças e adolescentes passem mais tempo em casa e, consequentemente, conectadas em jogos on-line,(…)

ChildFund alcança 6,9 milhões de pessoas no Brasil

O ChildFund alcançou 6,9 milhões de pessoas no Brasil, por meio de campanhas, reportagens na imprensa e publicações on-line em 2025. É o maior resultado(…)

Kit Missão Clima ensina escolas sobre educação climática e prevenção de riscos de desastres

Nos últimos anos, os sinais da degradação ambiental estão cada vez mais evidentes e intensos ao redor do mundo. Com impacto direto nas temperaturas globais,(…)