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O que estabelece o ECA Digital

ChildFund realiza oficinas de informática com organizações da sociedade civil parceiras, para as quais também oferece formações acerca do tema.

Equipe ChildFund

O ECA Digital entra em vigor neste mês e estabelece regras claras, deveres e punições às plataformas digitais, ampliando ao espaço virtual os direitos assegurados pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Trata-se do primeiro marco legal brasileiro voltado exclusivamente à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. A legislação do Brasil acompanha um movimento global de maior regulação das plataformas digitais. Na Austrália, por exemplo, uma lei aprovada em 2025 proibiu o uso de redes sociais por menores de 16 anos, exigindo que as empresas implementem mecanismos efetivos de verificação etária para impedir o cadastro de crianças e adolescentes abaixo dessa idade.

 

Dados chamam a atenção para essa realidade

O ChildFund revelou por meio da sua pesquisa que mais da metade dos adolescentes do país já foi vítima de violência sexual na internet. O estudo ouviu quase 9 mil adolescentes, e a pesquisa indica que a internet é um ambiente com baixa segurança e que são necessárias iniciativas de educação para a internet.

Dados da Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, mantida pela SaferNet, enfatizam que o cenário é grave: as queixas de crimes on-line cresceram 28,4% em 2025 em comparação com 2024, totalizando mais de 87 mil novas denúncias. A maior parte dos registros está relacionada a imagens de abuso e exploração sexual infantil.

 

ChildFund trabalhou pela aprovação do ECA Digital

Desde 2022, o ChildFund acompanha e contribui para o desenvolvimento do ECA Digital junto a instituições e parlamentares. Por meio do seu advocacy, contribuiu com sugestões ao texto técnico e participação em reuniões com equipes legislativas. Além disso, assinou, em 2024, uma nota da Coalizão Brasileira pelo Fim da Violência Contra Crianças defendendo a relevância do projeto e a urgência da aprovação. A organização também realizou campanhas, como o Maio Laranja, e pesquisas que contribuíram para sensibilizar a sociedade e os tomadores de decisão, processo que se intensificou após as denúncias do influenciador Felca.

O ECA Digital define regras claras para a remoção de conteúdos, amplia a transparência das plataformas e estabelece a fiscalização pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que poderá aplicar advertências, multas e, em casos graves, solicitar a suspensão das atividades das empresas no Brasil por decisão judicial.

Educadora orienta criança, em oficina de informática do ChildFund. Importante para ECA Digital
Educadora orienta criança, em oficina de informática do ChildFund. Foto: Marcelo Martins

Principais medidas do ECA Digital

Veja abaixo o que o ECA estabelece:

  • Verificação real da idade, com a proibição da autodeclaração e a exigência de métodos eficazes para comprovar a faixa etária dos usuários;
  • Responsabilização das plataformas, que passam a ter a obrigação de monitorar e remover de forma ativa conteúdos nocivos, como violência, exploração e abuso sexual, cyberbullying, incentivo à automutilação e jogos de azar. A legislação também determina que as empresas encaminhem relatórios às autoridades com informações sobre conteúdos removidos ou denunciados e mantenham, por no mínimo seis meses, os dados relacionados aos casos, a fim de subsidiar investigações. A solicitação de retirada de conteúdo poderá ser feita pelas próprias vítimas, por seus responsáveis legais, pelo Ministério Público ou por entidades de proteção à infância e adolescência;
  • Supervisão parental reforçada, com a obrigatoriedade de vinculação das contas de crianças e adolescentes menores de 16 anos às de um responsável legal. A lei determina que as plataformas disponibilizem ferramentas claras e acessíveis de controle parental, como bloqueio de conteúdos inadequados, definição de limite de tempo de uso, autorização prévia para compras e monitoramento das interações realizadas no ambiente digital;
  • Proibição da publicidade direcionada a crianças e adolescentes, incluindo o uso de dados pessoais e perfis emocionais para fins comerciais. Também é proibida a veiculação de conteúdos que exponham crianças e adolescentes de forma erotizada ou inadequada, bem como sua monetização ou impulsionamento nas plataformas;
  • Limitação de mecanismos que estimulam o vício, como as chamadas loot boxes, ou caixas-surpresa, presentes em jogos eletrônicos, que exigem pagamento sem que o usuário saiba previamente qual item ou benefício será recebido.
ChildFund realiza oficinas de informática com organizações da sociedade civil parceiras, para as quais também oferece formações acerca do  tema, como o ECA Digital.
ChildFund realiza oficinas de informática com organizações da sociedade civil parceiras, para as quais também oferece formações acerca do tema. Foto: Marcelo Martins

Apoie o ChildFund

Desde 2023, o ChildFund realiza campanhas de sensibilização acerca do assunto.

Nas comunidades onde atua, oferece oficinas de informática, nas quais ensina sobre como prevenir violência on-line a crianças e adolescentes. Apoie o ChildFund para que essas iniciativas continuem e mobilizem mais pessoas! Clique aqui.

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