Com o retorno às aulas, o ambiente escolar volta a concentrar não apenas interações presenciais, mas também dinâmicas que se estendem ao espaço digital e podem gerar riscos à saúde mental e outros perigos. É o caso do cyberbullying, prática caracterizada por ataques, humilhações e exposições feitas de forma recorrente na internet em razão da condição social, da aparência física ou de outras características de uma pessoa. Discussões, exclusões e rivalidades na escola tendem a migrar para ambientes como redes sociais, jogos on-line e aplicativos de mensagens, onde ganham maior visibilidade e ampliam os impactos sobre quem sofre as agressões.
O cyberbullying pode desencadear algumas mudanças de comportamento em crianças e adolescentes:
- Mudanças de humor;
- Ansiedade;
- Crise de pânico;
- Tristeza persistente;
- Irritabilidade;
- Perda de apetite;
- Isolamento social.
No último ano, realizamos o estudo Mapeamento dos Fatores de Vulnerabilidade de Adolescentes Brasileiros na Internet e concluímos que adolescentes entendem a internet como um território marcado por insegurança, exposição ao bullying e outras formas de violência. e outras formas de violência.
A publicação do estudo acende alertas para todos nós: mais da metade dos adolescentes entrevistados afirmou que já foi vítima de violência sexual on-line, enquanto, a insegurança é relatada por 21% das meninas e 10% dos meninos.
Formas de proteção on-line
Passando, em média, 4 horas por dia na internet, para além das atividades escolares, os adolescentes estão mais vulneráveis a contato com desconhecidos por redes sociais e jogos on-line. Recomendamos que adolescentes acessem a internet com a supervisão de pais, mães e cuidadores.
A supervisão é uma das formas mais eficientes de proteção, mas, a nossa pesquisa mostrou que nem todos os adolescentes são acompanhados por responsáveis: somente 35% relatou que possui algum tipo de supervisão no uso da internet, evidenciando a necessidade de ampliar o diálogo e a orientação sobre convivência e segurança no ambiente digital.

Confira, abaixo, mais algumas dicas sobre como proteger os adolescentes dos perigos da internet:
- Converse com seus filhos: o diálogo com transparência é uma das melhores maneiras de aumentar os níveis de proteção digital.
- Cursos sobre proteção digital: o curso SafeChild, criado por nós e oferecido gratuitamente, propõe maneiras de informar a adolescentes, pais e responsáveis sobre os riscos no ambiente on-line.
Cyberbullying é crime
Em 2024, o Brasil passou a contar com um marco legal específico para o enfrentamento do bullying e do cyberbullying. A Lei nº 14.811/2024 alterou o artigo 146-A do Código Penal e estabeleceu punições para a prática de intimidação sistemática, incluindo multa e reclusão, a depender da gravidade do caso. Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública identificou, no mesmo ano, 2.935 ocorrências de bullying e cyberbullying com vítimas de 0 a 19 anos, sendo 460 classificadas como cyberbullying. O estudo, no entanto, não reflete a totalidade dos casos, mas apenas aqueles que chegaram a ser formalmente registrados pelas polícias civis estaduais.